O Tempo, a Memória e o Vento

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Uma leve brisa faz balançar a Memória, que inerte, parece não mais ter vida. O Vento estava sempre a soprar, num esforço quase inútil de fazer a Memória recuperar o Tempo perdido. Mas o Tempo estava sempre muito apressado e cada vez passava mais depressa. A Memória abria a janela de seu pensamento, na esperança de que o Tempo percebesse que ali ainda havia uma luz que não se apagara, apenas tremeluzia fraca e cansada. Muitas vezes o coração da Memória se emocionava com alguma lembrança que o Tempo deixava cair, ao passar distraído pela estrada da vida. Nada mais do que isso. Quanto mais pensava no Tempo, mais a Memória se tornava fraca e cansada. Se pelo menos o Tempo fosse conhecedor de todas as lembranças que habitavam a Memória  e que estavam submersas no mais profundo do seu ser, talvez se compadecesse dela e soprasse em seu ouvido as canções já esquecidas, que apenas faziam eco em seu pensamento, mas não se faziam ouvir. Com estes tristes pensamentos, a Memória adormeceu e sonhou todos os sonhos que esquecera de sonhar e que o Tempo, na sua pressa ,a impedira de realizar.

 

Débora Benvenuti

quinta 19 dezembro 2013 14:12 , em CONTOS


Se houvesse Amanhã

Blog de emocoesdeoutono :EMOÇÕES DE OUTONO, Se houvesse Amanhã

 

 
 
Anoitece...

Mais uma vez anoitece,
e tudo se torna escuro e sombrio,
meu coração se entristece,
quando vê que padece,
de uma dor que nunca sentiu.
Você chegou e partiu,
numa noite quente e estrelada,
quando ainda era madrugada
e nem me disse o que faria.
se um dia me encontrasse
e me visse assim tão cansada.
A cada instante eu sinto,
que se houvesse um outro amanhã,
ele nos encontraria deitados,
novamente no mesmo divã.
E assim, como quem não quer nada,
você me diria,
que a roupa você não tiraria,
enquanto eu estivesse calada,
e como eu não dissesse
o quanto eu queria,
você saberia,
o que nós dois viveríamos,
e assim, esse dia,eu lembraria,
de um menino levado,
que só fica deitado,
enquanto meu corpo suado,
me diz que é nesse abraço,
que escorrego nos teus braços
e me perco no teu cansaço!
 
 
 
 
 
Débora Benvenuti

domingo 15 dezembro 2013 11:50 , em POEMAS


Um Sonho quase Perfeito

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Um coração que estivera adormecido 

e por muito tempo esquecido,

sentiu-se invadido por um sentimento

que há muito tempo não sentia.

Acreditou que podia amar

e entregar-se a esse amor.

Reviver novamente cada momento de espera,

de surpresas e alegrias.

E pensando assim,

 adormeceu docemente.

 Sonhou que podia novamente amar,

 como jamais amara em toda a sua vida.

 Imaginou que era feliz

e que feliz seria agora,

 ao lado de quem amava

 e de quem escolhera para ser o seu amado.

 Mas quanta ilusão havia nesse coração,

 que mesmo sonhando  jamais imaginara

 acordar de um doce sonho

 e perceber que tudo não passar

de um sonho que nunca se realizara.

Débora Benvenuti

domingo 15 dezembro 2013 11:36 , em POEMAS


A Consciência, o Pensamento e a Imaginação

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Já havia um bom tempo que a Consciência se dera conta de que havia se formado um vazio no seu pensamento e  por mais  que  buscasse  a  ajuda  da Imaginação, nada mais acontecia. Já se fora o tempo em que a Imaginação voava livre, mesmo  sem  a  ajuda  do Pensamento. Algo acontecia com  a  Imaginação  e não havia  nada que mudasse essa situação. O Pensamento vagava horas a fio pelo infinito da Imaginação e quanto mais vagava, mais perdido ficava. Havia uma lacuna que precisava ser preenchida e quanto mais pensava nisso, mais a Consciência se certificava de que precisava encontrar uma saída. Eram várias portas que haviam se fechado, impedindo a saída da Imaginação. Nunca houvera uma situação que se prolongasse por tanto tempo. Era o caos virado do avesso. As palavras sempre foram muito inteligentes, mas agora elas não sabiam mais como se organizar. Sem a ajuda do Pensamento, elas se misturavam umas às outras e não conseguiam se expressar. E por assim ser, nada  mais  poderia  ser feito a não ser esperar que de repente, tudo voltasse a ser como era antes. A Imaginação precisava descobrir onde havia  perdido as suas asas e quando as encontrasse, voltaria novamente a voar...

Débora Benvenuti

sábado 14 dezembro 2013 16:51 , em CONTOS


Chuva de Ilusão

Blog de emocoesdeoutono :EMOÇÕES DE OUTONO, Chuva de Ilusão

 

 
Caminho...
Meus passos
me conduzem a lugar nenhum.
Quero deixar de pensar
e caminhar até te encontrar.
Sinto o cair da noite
e a brisa que sopra
me faz sonhar.
Em algum lugar você deve estar
a me esperar.
Sinto no meu rosto
uma lágrima a rolar.
Meus olhos ficam embaçados,
não quero chorar.
São os pingos da chuva
que estão no meu rosto a molhar.
Mas por que penso na chuva,
sempre que estou a chorar...?
Chuva de ilusão,
estarei eu a sonhar?
Não quero que me vejas
tão indefesa.
Quero que estejas
de braços abertos,
me abrace, me aperte,
me faças mulher.
É só isso que eu quero,
mas sejas sincero,
nessa chuva de ilusão,
quero conquistar seu coração.
 
 
 
 
Débora Benvenuti

quinta 08 agosto 2013 15:49 , em POEMAS


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